sábado, 21 de março de 2015

Passion

Pessoas apaixonadas são sempre iguais
Sempre tão previsíveis
Viram poetas, faz da vida sonhos
E dos sonhos poesias
Desbravam corações e ilhas
Muros e milhas
Faz de gente, flores
E de flores, amores
Para eles menos é sempre mais
E o resto do mundo tanto faz


sábado, 28 de fevereiro de 2015

Quando paro para pensar, e percebo que gastei milhões de minutos dedicando meu cérebro a um único pensamento. Que programei sem querer um tipo de condicionamento físico e mental que se recusa a olhar para o outro lado da esquina e ver que a plaquinha da loja que eu passo em frente todos os dias tem dois lados. Ora aberto, ora fechado.
Quase que eu não reparava na própria loja, não fosse pelo bom dia dado pelo segurança uniformizado, contratado, que insiste em uma educação desmedida. Distraída, sempre respondo, quase que por susto e irritada por ter que pausar o pensamento.
Muito preocupada em destinar esforços com adivinhações e análises embrulhadas de boas doses de desculpas que meu cérebro programa por não conseguir trabalhar com base em obviedades.
É um inventário contínuo de cenas estúpidas, e ,por incrível que pareça, seguem uma linha cronológica de fatos ininterruptos.
No fundo, eu sei que todas as desculpas, as justificativas, os fatos, as histórias que remetem a este pensamento são mais dignas da minha própria imaginação do que realistas.
Não que meu meu melhor amigo não tivesse precisado me dizer isso durante quase todos os dias em que eu suspirei para ele as migalhas de eventos em que estive presente com o alvo.
É quase tão tolo quanto perceber que me torno menos inteligente a medida que olho os livros amontoados,sem companhia, na instante do meu quarto.
Agora, mais realista, enxergando a realidade dos fatos, a ausência da clareza nas histórias programadas por mim, destinadas a alimentar um pensamento, passeio, olho, penso, vejo, escuto e percebo.
Até dou bom dia ao segurança defronte a loja, antes mesmo de ele notar meus passos se aproximando.
Não sei o que foi, mas ao que me parece, me sinto conformada.
Sei que as paixões dão certo por aí.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Memória

Esses dias comecei a analisar o jeito que fico analisando os detalhes mais minuciosos de cada coisa, de cada ruela, de cada vila, de cada bairro. O mercadinho que me lembra comida, que me lembra lanchonete, que me lembra que eu estava tomando suco, enquanto ele comia sanduíche em um dia feliz e triste. Sentimento duelado  marcado pela falta de posse somado a vista feliz que ele preenchia. O suco me lembrou  liquido, que me lembrou lágrima, lágrima  que me lembra olhos. Seus olhos. Teus olhos tem pálpebras marcadas, fundas, olheiras. Insônia. E aí me lembra que há dias não durmo, por pensar demais. Inconscientemente você acha que não dormindo está mais sujeito e vulnerável ao acaso. Você espera que um milagre aconteça. O mesmo sentimento que você tem  quando sai de casa. Mesmo sem saber direito para onde está indo, você procura algo, está a espera, a mercê. Não necessariamente procura um alvo especifico, mas um sorriso, um olhar, um encanto, um doce, uma bebida, um cigarro. Mas você não fuma. Mesmo assim, você também não sabe se hoje será seu primeiro dia. 
 Enquanto o sono não chega, ponho as músicas mais belas, mais tristes. As letras mais vagas ou as mais cheias de ânimo para ver se no mínimo sonho. Sonho me lembra fantasia, que me lembra filme. Advinha. Teu melhor filme. Sorrio, choro. Ponho um filme para saciar lembranças. O filme começa. Contagem regressiva para as analogias, as comparações, as nostalgias que causam os parques que você nunca esteve. Mas você se vê. Sentada ao lado de alguém. Você não sabe quem é, o casal está de costas. Mesmo assim é uma cena bonita. Você fotografa, do seu celular mesmo, você divulga a foto. Se ele vê. Você é feliz. Em parte.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Meu X

Se e eu pudesse decifrar essa incógnita que é só tua
Indiferença você domina, outrora, abomina
A questão é que você também me domina
Seu amor é um beijo que vai além da calma
É toque, é desejo, é língua
É um sentir que se faz presente na tua presença
E quando distante atormenta, sem saber se vai além
Sem saber de ti e se isto tudo te faz refém também
O amor é o que eu sinto longe ou perto
É a falta, é a saudade, é bem certo
Já o teu, indecifrável, um sentir mais comprimido
É só toque, é só desejo, é só língua, é incerto




terça-feira, 7 de outubro de 2014

Eu não sei o que dizer porque eu não tenho o que dizer
Meu bem, eu não sei se você tem um bem pra me fazer
Você sabe, foram tantas idas e vindas, não há mais o que perder
Não há mais o que ganhar, a saudade fica, eu vou lembrar
Meu bem, esteja bem, mas não precisa mais me amar
Estou aqui ainda, sabe aquele retrato? Não vou jogar
Foi tudo tão verdadeiro, mas não estou a flor da pele
Estou calma agora, as lembranças ficam porque não foi passageiro
Sabe aqueles olhos de desejo, morre tão rápido quanto o teu outro beijo
Em outro alguém, você me perdeu meu bem

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

De você só quero amor


Me fale mais sobre você
Seus medos, defeitos
Suas farsas, amores
Seus desejos, seus beijos
Suas armas, rumores
Me fale quem te rodeia
As mocinhas dos livros que folheia
Me fale dos seus planos para mim
Dos nomes e codinomes usados por ti
Relação alem de dedos laçados, entrelaçados
Mais que a rotina que une laços acostumados
Seremos assim?
Me fale o que você faz, o que você sente
Me fale das flores no vasilhame
Da chuva ou do sol quente
Fale da lua ou do vento
Mas em todo o caso
Me ame

domingo, 21 de setembro de 2014

A gente escolhe não amar mas doa o coração.

A gente escolhe não usar, mas arrisca,
Escolhe não arriscar, mas petisca.
A gente escolhe não se envolver, mas se enrola, se embola e cola.
Escolhe ir embora e não se move,
A gente escolhe apenas o presente, mas relembra.
Escolhe acabar, mas continua.
Opta pelo mistério, mas dá certeza.
Escolhe uma música e não escuta.
Dar corda e puxa.
Fala e se arrepende, e se arrepende por não falar.
Ele é esse drama contraditório.
Ele é qualquer bom texto.
A foto de uma linda paisagem ou um purgatório
Mas é belo em qualquer contexto
Ele sabe que não é redutível
Sabe que daria um romance curioso
De conversas esmiuçadas
À detalhes de lindas imagens
Diálogos de muitas palavras
Sabe que é interessante e por isso leva adiante
Sabe ser a ênfase mesmo em assunto irrelevante
Mas ele não merece ser tudo isso
Assim como eu não mereço tê-lo em pensamento
Em detrimento da minha calma, a favor do equilíbrio
Da constância, da sanidade, da razão
Qualidades dignas e prezadas
Não podiam ser negadas
A existência não pode trazer abstinência
Ser uma raiva alegre e um sorriso descontente
A valsa de um só, uma comédia excludente.
É tudo contradição
Trás incomodo para o coração alheio
Para o meu coração
Um coração alheio a mim
Como pode?
A gente escolhe não amar

Mas doa o coração.