quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Memória

Esses dias comecei a analisar o jeito que fico analisando os detalhes mais minuciosos de cada coisa, de cada ruela, de cada vila, de cada bairro. O mercadinho que me lembra comida, que me lembra lanchonete, que me lembra que eu estava tomando suco, enquanto ele comia sanduíche em um dia feliz e triste. Sentimento duelado  marcado pela falta de posse somado a vista feliz que ele preenchia. O suco me lembrou  liquido, que me lembrou lágrima, lágrima  que me lembra olhos. Seus olhos. Teus olhos tem pálpebras marcadas, fundas, olheiras. Insônia. E aí me lembra que há dias não durmo, por pensar demais. Inconscientemente você acha que não dormindo está mais sujeito e vulnerável ao acaso. Você espera que um milagre aconteça. O mesmo sentimento que você tem  quando sai de casa. Mesmo sem saber direito para onde está indo, você procura algo, está a espera, a mercê. Não necessariamente procura um alvo especifico, mas um sorriso, um olhar, um encanto, um doce, uma bebida, um cigarro. Mas você não fuma. Mesmo assim, você também não sabe se hoje será seu primeiro dia. 
 Enquanto o sono não chega, ponho as músicas mais belas, mais tristes. As letras mais vagas ou as mais cheias de ânimo para ver se no mínimo sonho. Sonho me lembra fantasia, que me lembra filme. Advinha. Teu melhor filme. Sorrio, choro. Ponho um filme para saciar lembranças. O filme começa. Contagem regressiva para as analogias, as comparações, as nostalgias que causam os parques que você nunca esteve. Mas você se vê. Sentada ao lado de alguém. Você não sabe quem é, o casal está de costas. Mesmo assim é uma cena bonita. Você fotografa, do seu celular mesmo, você divulga a foto. Se ele vê. Você é feliz. Em parte.

Um comentário:

  1. Não é o momento que se apresente ao nosso olhar
    Nem toda a aflição por falta de cada sonhar
    É a ânsia de um momento presente e ausente na escuridão
    Vontade de apertar quem não se vê em frente da imensidão

    Coragem de cair até encontrar quem nos braços há de segurar
    Paciência para aguardar quem no sonho venha nós acalentar
    Não o tempo que nós rege, nem os momentos que me traz
    É a paz que me aguarda e o que que me traz

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