Quando paro para pensar, e percebo que gastei milhões de minutos dedicando meu cérebro a um único pensamento. Que programei sem querer um tipo de condicionamento físico e mental que se recusa a olhar para o outro lado da esquina e ver que a plaquinha da loja que eu passo em frente todos os dias tem dois lados. Ora aberto, ora fechado.
Quase que eu não reparava na própria loja, não fosse pelo bom dia dado pelo segurança uniformizado, contratado, que insiste em uma educação desmedida. Distraída, sempre respondo, quase que por susto e irritada por ter que pausar o pensamento.
Muito preocupada em destinar esforços com adivinhações e análises embrulhadas de boas doses de desculpas que meu cérebro programa por não conseguir trabalhar com base em obviedades.
É um inventário contínuo de cenas estúpidas, e ,por incrível que pareça, seguem uma linha cronológica de fatos ininterruptos.
No fundo, eu sei que todas as desculpas, as justificativas, os fatos, as histórias que remetem a este pensamento são mais dignas da minha própria imaginação do que realistas.
Não que meu meu melhor amigo não tivesse precisado me dizer isso durante quase todos os dias em que eu suspirei para ele as migalhas de eventos em que estive presente com o alvo.
É quase tão tolo quanto perceber que me torno menos inteligente a medida que olho os livros amontoados,sem companhia, na instante do meu quarto.
Agora, mais realista, enxergando a realidade dos fatos, a ausência da clareza nas histórias programadas por mim, destinadas a alimentar um pensamento, passeio, olho, penso, vejo, escuto e percebo.
Até dou bom dia ao segurança defronte a loja, antes mesmo de ele notar meus passos se aproximando.
Não sei o que foi, mas ao que me parece, me sinto conformada.
Sei que as paixões dão certo por aí.
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