A gente escolhe não usar, mas arrisca,
Escolhe não arriscar, mas petisca.
A gente escolhe não se envolver, mas se enrola, se embola e
cola.
Escolhe ir embora e não se move,
A gente escolhe apenas o presente, mas relembra.
Escolhe acabar, mas continua.
Opta pelo mistério, mas dá certeza.
Escolhe uma música e não escuta.
Dar corda e puxa.
Fala e se arrepende, e se arrepende por não falar.
Ele é esse drama contraditório.
Ele é qualquer bom texto.
A foto de uma linda paisagem ou um purgatório
Mas é belo em qualquer contexto
Ele sabe que não é redutível
Sabe que daria um romance curioso
De conversas esmiuçadas
À detalhes de lindas imagens
Diálogos de muitas palavras
Sabe que é interessante e por isso leva adiante
Sabe ser a ênfase mesmo em assunto irrelevante
Mas ele não merece ser tudo isso
Assim como eu não mereço tê-lo em pensamento
Em detrimento da minha calma, a favor do equilíbrio
Da constância, da sanidade, da razão
Qualidades dignas e prezadas
Não podiam ser negadas
A existência não pode trazer abstinência
Ser uma raiva alegre e um sorriso descontente
A valsa de um só, uma comédia excludente.
É tudo contradição
Trás incomodo para o coração alheio
Para o meu coração
Um coração alheio a mim
Como pode?
A gente escolhe não amar
Mas doa o coração.
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