segunda-feira, 29 de setembro de 2014

De você só quero amor


Me fale mais sobre você
Seus medos, defeitos
Suas farsas, amores
Seus desejos, seus beijos
Suas armas, rumores
Me fale quem te rodeia
As mocinhas dos livros que folheia
Me fale dos seus planos para mim
Dos nomes e codinomes usados por ti
Relação alem de dedos laçados, entrelaçados
Mais que a rotina que une laços acostumados
Seremos assim?
Me fale o que você faz, o que você sente
Me fale das flores no vasilhame
Da chuva ou do sol quente
Fale da lua ou do vento
Mas em todo o caso
Me ame

domingo, 21 de setembro de 2014

A gente escolhe não amar mas doa o coração.

A gente escolhe não usar, mas arrisca,
Escolhe não arriscar, mas petisca.
A gente escolhe não se envolver, mas se enrola, se embola e cola.
Escolhe ir embora e não se move,
A gente escolhe apenas o presente, mas relembra.
Escolhe acabar, mas continua.
Opta pelo mistério, mas dá certeza.
Escolhe uma música e não escuta.
Dar corda e puxa.
Fala e se arrepende, e se arrepende por não falar.
Ele é esse drama contraditório.
Ele é qualquer bom texto.
A foto de uma linda paisagem ou um purgatório
Mas é belo em qualquer contexto
Ele sabe que não é redutível
Sabe que daria um romance curioso
De conversas esmiuçadas
À detalhes de lindas imagens
Diálogos de muitas palavras
Sabe que é interessante e por isso leva adiante
Sabe ser a ênfase mesmo em assunto irrelevante
Mas ele não merece ser tudo isso
Assim como eu não mereço tê-lo em pensamento
Em detrimento da minha calma, a favor do equilíbrio
Da constância, da sanidade, da razão
Qualidades dignas e prezadas
Não podiam ser negadas
A existência não pode trazer abstinência
Ser uma raiva alegre e um sorriso descontente
A valsa de um só, uma comédia excludente.
É tudo contradição
Trás incomodo para o coração alheio
Para o meu coração
Um coração alheio a mim
Como pode?
A gente escolhe não amar

Mas doa o coração.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Que reveste o sentimento

Eu sinto que a poesia é o jeito mais belo de se expressar
Sinto que palavras ordenadas suplicam para a memória guardar
Sinto que a felicidade e a tristeza ocupam lugares extremos
Diante de um tempo que insiste em passar devagar
Diante das flores que murcham e brotam venenos
Sinto apesar, que nada precisa ser descartado
O vento não precisa levar as tardes
Que breve será um passado nostálgico
E haverá um dia em que a tristeza fará contigo as pazes
E o extremo distante não abraçará a felicidade
Livrarei-me da posse, do ego e da maldade
Almejando com afinco a busca pela verdade
Meus pés irão flutuar
Nutridos por amores que ocuparam minha estante
Enfeitando com diferentes cores o saber que consegui criar
Decorando de luz o que restou desse semblante

Sobre se sentir viva

Se sentir viva de um jeito maior
Mais do que de cor, aprender
Encontrar a alma de um jeito só
Não em alguém, por quem merecer
Junte-se e desprenda-se apenas se quiser
Sem precisar, haverá menos dor
Colocando nos eixos tudo que engloba teu ser
E mesmo falando de amor
Não te desespere, caiba em ti mesmo
Transborda apenas a essência que te diz respeito
Mais tarde doerá menos
E tua vida caberá em teu peito

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Não sei porque, mas estou com saudade.

 Acredito que ter saudade é inerente ao indivíduo inserido em sociedade. O contato com outros me deixa a mercê de pessoas que variam em grau de importância para mim, mas que me exigem palavras, sentimentos e emoções que são dignas de reprise. Há um momento em que preciso dizer o que já disse, por saudade do dito, por saudade do impacto que a palavra causou em alguém, por vontade de sentir o mesmo que senti quando vivi outrora determinado momento. Há vezes em que eu preciso ouvir uma voz que já ouvi há muito tempo, mas que tenho saudade, talvez nem da voz em si, ou do timbre, mas por saudade do pensamento que tive ao me deparar com tal som. As coisas físicas em questão não é o fator principal, não é o motivo completo da nostalgia, mas o que se sente quando se depara com o alvo em questão. Ser nostálgico é procurar o abraço de uma mãe em amores que não te satisfazem. É saber que o consolo de um momento não existirá para sempre e muito menos será rotineiro, é querer guardar um olhar profundo que te fitou, mesmo que você tenha sido alvo dos olhos de uma criança, e, no entanto, foram olhos tão profundos que te deram motivos para viver ao menos por aquele dia. Tudo que atingem meus sentidos me deixam fragilizada ao ponto de precisar reviver mínimas coisas, mínimos momentos. A nostalgia bombardeia e nos grita que não seremos felizes até encontrarmos o que procuramos. O que procuro já vivi, mesmo que em pensamento, quero satisfazer a recordação das mais aleatórias coisas, procurando  em pessoas, em cômodos, em ambientes, em gostos preencher certos vazios.  Mesmo que sejam vazios de outros, em tese, mas como disse não é a coisa em si que te satisfaz, mas poder reviver o sentimento já pensado, vivido ou sonhado. Para ser mais clara, falo de poder preencher o vazio das crianças abandonadas, das que crescem na desordem de um ambiente influenciador do mal. O vazio da falta de comida mesmo. Da falta de atitudes que mudem o cenário de um sistema em que a desigualdade social se tornou banal.  Que o olhar face a face se tornou algo raro por ser substituído por distrações em smartphones. É saudade de um governo que governe para um povo e não para uma classe, é saudade de achar engraçadas as brincadeiras de rua na casa onde marcou minha infância e não poder encontrar e reviver esse sentimento em momentos atuais, porque esse tipo de brincadeira foi extinta e ofuscada por um mundo digital. É saudade que tenho de entender o real sentido das coisas. Felicidade é conseguir preencher em corpo, alma e mente a vida que faz sentido pra mim.  É optar por ser nostálgica, já que é inerente, mas simultaneamente, encontrando na vida o equilíbrio mental que vivi quando criança, não por ser equilibrada em um sentido real, mas por achar graça e sentido nas coisas ao meu redor, e ter saudade, mas ter vontade, amor e esperança. Muita esperança. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Por hora, minha.

Será a inspiração tão falha assim?
 Tão repentina que desabrocha de repente em um ínterim?
De tempo.
Desabrocha e brocha, some?
Espalha-se, volta, ou não
Às vezes leva o vento
E alguém a toma de você, de você por quê?
Será ela tão sua a ponto de julgar pra si o direito de possuí-la?
Parece um buquê, de tão linda, de tão viva
E de tempo contado, esgotado

Aproveita o  espaço do momento que ela pode existir

domingo, 7 de abril de 2013

Infortúnio

Cabelos grisalhos,  rugas marcadas, olhos e pálpebras que  fundem-se e transformam-se  numa migalha de órgão que  nem se sustenta em sua posição original.
Ainda neste, não só a má aparência é um problema,  mas também a  visão que se ausenta de seu  dever e distorce a imagem real. Esta, por sua vez, distingue-se e torna-se acessível apenas por causa das lembranças remotas que um dia  a retina  foi capaz de fotografar.
Teu  andar  me atrapalha  e atrapalha  a ti, que caminha com pressa à fim ou não de chegar com demasiada rapidez e prontidão.
Este ser tem seus  passos lentos e agilidade insuficiente para ser dominador  do corpo que carrega. Pobres,se desculpam  pelo incomodo que causa em outrem  esquecendo-se que, por obra natural, todos nos tornaremos o caco da pedra bonita que fomos.
Ainda não terminando a lista de infortúnios que adquire quando torna-se um colecionador do tempo, direi que  sua capacidade de ouvir é quase que inaudível, variando claro em pouquíssimo de um para outro. No mais e amiúde, todos estes são vítimas  por serem privados do audível em um mundo onde a maioria é  ávida pelo som.
Sempre e tanto, mesmo assim, são todos estes mais providos de  experiência. Há quem diga também que são mais dotados de conhecimento, discernimento e mais uma série de adjetivos. (Que discordarei em todas as vezes que isto for generalizado.)
Ora, o tempo também não é o dono de tudo, onde toda e qualquer qualidade se é adquirida através dele.
Por conseguinte , a única qualidade que envolve a raça dos mais velhos foi e sempre será a experiência. É uma lei natural desanimadora.
Fisicamente carregam este retrato surrado e remendado, psicologicamente fracassados por não serem alvos de desejo de outro ser. Não mais, francamente.
Na maioria dos casos, a clareza da fala também é tomada  e resta contentar-se em poder usufruir pouco da vida, pois o tempo, por justiça ou não, entende que já viveram demais.
Ainda quando conversam, sempre  tão cheios de assuntos, por terem tanto a contar dessa vida tão vivida,  apenas um assunto é relevante de se discutir.

A morte.