Ele bateu a porta dos fundos pra não precisar ser interrogado nem pela sombra que vir-se a passar por ele. Deixou -me alí sem reação, e saiu sem achar que devia mais alguma explicação. Como se o protagonista desse enredo pudesse sair de cena e ,sem mais nem menos, pular fora.
Pensei se devia correr atrás daquele ser arrogante demais pra me dar o direito de perguntar e responder, se é que havia algum questionamento.
Se havia, não era importante o suficiente pra despertar nele tamanha curiosidade. (A curiosa da história sempre fui eu.). Agora ele deve estar em uma mesa de bar contando aos seus mil e um amigos o quanto tirou um peso de suas costas. E infelizmente essa parte do diálogo só vai durar algumas breves frases, depois partirão pra qualquer assunto, menos chato do que eu como pivô.
Conhecendo-o bem, ele vai beber seus chops, e no décimo terceiro vai ser o cara mais sentimental do mundo. Pena que não vou estar a disposição pra atender a ligações de bêbados-arrependidos-carentes. Queria poder dizer que vou estar em uma balada com minhas amigas, me divertindo com até a pergunta do garçom pra saber se deve repor o champanhe. A verdade é que minha cama junto com meu cobertor e qualquer filme melodramático me atraem mais nesses momentos em que, se estou mal, preciso me declarar a pessoa mais triste do mundo. Eu e minhas manias de ser exagerada pra qualquer coisa.
E o problema era exatamente esse. Ele não era qualquer coisa, o motivo não era qualquer. E a culpa era toda dele. Sabe aquele tipo que no primeiro encontro te sugere a própria cama como lugar ideal? É apenas uma tática: ou você é mais uma que vai dizer sim, e vai tirar a seca dele durante alguns poucos minutos de prazer ou você vai ser a que vai dar o fora e ele vai correr atrás até o fim pra te convencer que só sugeriu a sua cama porque é em seu quarto que ele encontra tudo que gostaria de compartilhar com um novo amor. E se você não tivesse o mesmo gosto que ele, bom pra trocar ideias, se tivesse, ótimo pra compartilha-las. O seja, ele não sairia perdendo em nenhum dos casos. Só uma idiota como eu pra achar uma tática brilhante, e me apaixonar por um babaca neste nível.
Obviamente, quando ele conseguisse te convencer, você ia ter a maior curiosidade do mundo em saber o que ele guardava em seu quarto, e claro, como jogador experiente, iria alegar que só poderia matar sua curiosidade te levando ao local.
É neste quarto incrível que ele tem desde o Mini-Studio fotográfico, até sua coleção de filmes.
Melhor programa não haveria pra passar os fins de semana e qualquer tempo de sobra na semana do que lá. Ou aqui, melhor dizendo. Estou aqui ainda em seu quarto, olhando pra tudo nostalgicamente, e já esquecendo-me de como ele é auto-suficiente o suficiente pra sair, sendo o protagonista, do seu próprio cenário. Tudo bem que o cenário era nosso, uma vez que estávamos juntos, mas quando não se há mais filme pra rolar, o que sobra é o lugar, bruto, e singularmente torna-se apenas dele.
Vou fazer questão de deixar minha coleção de sutiãs na sua gaveta, meu perfume em cima da penteadeira, minha escova do bob esponja, e todo e qualquer pertence que eu sei o quanto vai o deixar nostálgico no quarto que outrora era o o lugar pra pôr em prática sua tática com as gostosas.
Eu não era tão gostosa assim, na verdade, não era, e ele ficou comigo exatamente dois anos, 4 meses, 5 dias, e 50 minutos. Talvez a minha risada repentina combinasse com seu bom humor diário, e seu brigadeiro divino com meus desejos frequente por chocolate. O que não combinava era as nossos perfis de advogados, que defende até a morte algum ideário. Era nesse ponto que ele perdia a paciência e saia como se fosse a única forma de resolver o problema.
Eu sei que dessa vez a briga foi feia, e a paciência dele se esgotou mais rápido do que de costume, mas se for como das outras mil vezes, ele vai voltar, e dizer que sou a única que ele não consegue viver sem. Vai declamar o poema mais clichê e lindo do mundo " soneto da fidelidade" de Vinícius de Morais, seguido de um abraço que vai durar mais do que a briga motivadora disto.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
.
E se hoje disser que preferia viver em um sonho bom, daqueles que acontecem coisas demais em um único momento?
O instante é o espaço certo entre o desejo e o prazer. A imaginação é vasta demais pra se pensar que os fatos devem ocorrer em uma ordem contínua. Então tudo se mistura. Nada é estável o suficiente pra acontecer por uma causa e merecer explicação.
Você não entende. E não precisa.
No meu sonho, esse bom, esse que cabe em um instante, seu olhar revela uma serenidade boa de olhar de longe, assim como meus olhos permanecem livres o suficiente pra admirar os seus sem a precisão de chegar perto.
Assim prefiro olhar-te.
O desejo é a melhor sensação, até o momento em que não for saciado. O gosto que não é sentido torna-se o melhor sabor quando imaginado.
Seus braços, ao longe, envolve não somente a mim, mas o redor que em torno de mim encontra.
Pareces mais poderoso, e eu, mais livre.
Poderia associar este desejo ao mesmo que tem-se ao ver uma roda gigante, daquelas iluminadas, com seus carrinhos multicoloridos, fincados em máquinas capazes de girá-los até o mais alto que o seu olhar cabe.
Pode não ser tão alto assim, de fato, mas só o fato de está a uma altura longe o suficiente pra ser admirado e impressionado é valido.
Uma sensação de voar sem precisar de asas.
O fato é que quando põe- se em prática essa vontade de 'voar' e seu desejo sacia, ter supostas asas não torna-se tão divertido quanto sua imaginação abrangia.
Quando te vejo nesse sonho, você parece inviável. E assim mais desejado. Por mim.
Parece que desejos não merecem ser saciados.
O afeto é mais bonito ao longe.
De perto, torno-me vulnerável ao afeto necessário, e parece que ele não é tão belo assim.
É mais admirável ser livre para apreciar-te ao longe.
De perto nada é tão apreciável.
O instante é o espaço certo entre o desejo e o prazer. A imaginação é vasta demais pra se pensar que os fatos devem ocorrer em uma ordem contínua. Então tudo se mistura. Nada é estável o suficiente pra acontecer por uma causa e merecer explicação.
Você não entende. E não precisa.
No meu sonho, esse bom, esse que cabe em um instante, seu olhar revela uma serenidade boa de olhar de longe, assim como meus olhos permanecem livres o suficiente pra admirar os seus sem a precisão de chegar perto.
Assim prefiro olhar-te.
O desejo é a melhor sensação, até o momento em que não for saciado. O gosto que não é sentido torna-se o melhor sabor quando imaginado.
Seus braços, ao longe, envolve não somente a mim, mas o redor que em torno de mim encontra.
Pareces mais poderoso, e eu, mais livre.
Poderia associar este desejo ao mesmo que tem-se ao ver uma roda gigante, daquelas iluminadas, com seus carrinhos multicoloridos, fincados em máquinas capazes de girá-los até o mais alto que o seu olhar cabe.
Pode não ser tão alto assim, de fato, mas só o fato de está a uma altura longe o suficiente pra ser admirado e impressionado é valido.
Uma sensação de voar sem precisar de asas.
O fato é que quando põe- se em prática essa vontade de 'voar' e seu desejo sacia, ter supostas asas não torna-se tão divertido quanto sua imaginação abrangia.
Quando te vejo nesse sonho, você parece inviável. E assim mais desejado. Por mim.
Parece que desejos não merecem ser saciados.
O afeto é mais bonito ao longe.
De perto, torno-me vulnerável ao afeto necessário, e parece que ele não é tão belo assim.
É mais admirável ser livre para apreciar-te ao longe.
De perto nada é tão apreciável.
domingo, 8 de julho de 2012
Faço do teu sorriso um abrigo.
Quando meus pés perdem a função de reis de sustentação pra outro ser, que se diz meu amor, já posso dizer que as coisa mudaram sobre mim.
É assim que as coisas funcionam agora, parece que tudo trocou ou pelo menos foi substituído. Nunca gostei de usar o termo substituição, mas é que ultimamente algo vem sido tomado de um jeito que até meus órgãos perderam suas funções.
Parece meio profundo demais para mim que permaneci subjetivando todos os casos da vida.
Outros dias ouviria nirvana por um dia inteiro, e no entanto já faz um tempo que preciso, antes que termine meu dia, escutar uma velha pitada romântica exagerada nas músicas mais clichês do mundo.
É que não posso mais afirmar como maior verdade o trechinho de "loves a game": "love is a just a game, brooken all the same".
Na verdade ainda não tiro sua verdade, mas é que o "apenas" desse trecho é totalmente incoerente com a sina de vida dos providos de amor, o "apenas" estraga e limita, o "apenas"é vago e triste, pelo menos pra mim que faço questão dos teus olhos parados e fixos olhando pra qualquer coisa, só pra eu poder analisar-te com mais calma, justificando a serenidade como o principal pivô da minha análise.
E se eu disser que preciso que você fale qualquer coisa só pra eu poder confirmar que é a tua voz que é a mais linda falando qualquer coisa, e se eu disser que prefiro que você use qualquer roupa porque na verdade nada importa se duas coisas ainda permanecerem em ti, e é fácil de adivinhar, é só você lembrar de como eu tenho necessidade de pôr minhas mãos sobre ti e fazer com que teus olhos abram o máximo que puder, e seu sorriso seja o maior possível ,aquele que mostre que é isto que me faz seguir bem.
Sou a pessoa mais satisfeita do mundo quando você encosta teu rosto no meu e parece dormir, olha pra mim e parece fazer planos gigantes, mesmo sabendo como eu sou chata as vezes, e digo "não sei nem se vou tá viva daqui a duas horas".
Ando sendo a pessoa mais feliz do mundo todos os dias que percebo que você acordou e quis me desejar bom dia, e foi dormir e quis me desejar boa noite.
É dessa forma que percebo que eu posso ter os dias mais cansativos e entediados do mundo, porque sei que vou dormir como uma criancinha feliz.
Hoje só vou conseguir dormir se você disser que está feliz, só vou viver se você disser que me ama como eu te amo.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Não chora assim, meu bem.
"...Nos meus braços você chorou a mais linda dor, a dor da culpa, e do arrependimento.
Implorou pelo amor que pensava que havia perdido, e beijou-me como nunca dantes havia me beijado, abraçou-me com a maior força do mundo, aquela força que conforta e não machuca, e chorou, e chorou e chorou..."
Será que eu devo perdoá-lo? Nossa! Só por esse choro melancólico, ele já ganhou metade da minha sensibilidade em relação a situação.
Me via perdida entre sinais e pressentimentos que apontavam para o lado oposto do meu querer.
Porque sim, na verdade eu queria perdoá-lo só pela primeira lágrima caída em seus olhos.
Mas isso não podia acontecer! É claro que não podia acontecer. Pra onde a minha velha razão estava indo?
De uns tempos pra cá, parece que todas as atitudes mediantes a razão havia sido enterrada junto com aquela minha velha frustração de "o amor não existe e ponto final".
Algo que eu não sabia havia me tomado de um jeito que eu não sabia mais responder pelas minha ações.
Eu que nunca amei ninguém.
Esta era a explicação clara para essa mistura de quereres e sentimentos que haviam impregnado em mim.
Se o que ele tinha feito era imperdoável, Não pra mim.
Por mim o abraçaria pela primeira lágrima. Mas ele sabe, ele sabe mais do que eu que isso não irá acontecer. Ele sabe do meu orgulho. Ele sabe que ele vai precisar chorar mais, me beijar mais, me abraçar mais... Até eu dizer aquela frasezinha, que mais clichê não há:
"Vou pensar no seu caso."
Só que aí que está o problema. Ele também sabe como ninguém, que quando eu pisco meus olhos ou fixo meu olhar no nada, é a prova de que o que eu disse é exatamente o contrário do que eu queria dizer.
E se eu não soubesse o que dizer, provavelmente olharia em seus olhos e riria aquele riso de criancinha feliz. Como sempre.
É assim que a situação se inverte naquele jogo de submissões:
Outrora ele se via submetido a mim e as minha decisões, agora eu me via submissa as suas lágrimas.
É claro que eu sou suspeita pra falar quando refiro-me a lágrimas de um homem. Porque pra mim, poucas coisas são tão lindas quanto ver um homem chorando. E ainda mais quando você se vê como motivo dessas lágrimas, dessa água pura de olhos sinceros, e não de qualquer homem, mas daquele que te fazia duvidar da razão.
Tudo parecia acontecer milimetricamente como um costume rígido.
E foi assim mesmo que aconteceu. No final o meu orgulho sede e ele sempre vence no final. O impulso é o ser mais constante do momento, as respirações são as mais ofegantes, e os olhos de ambos parecem devorar um ao outro.
De repente aquele perfume meio suave, meio forte, meio fatal demais pra mim que me via vulnerável às coisas mais tolas do mundo, me tomou por inteira.
E nossos corpos e almas confundiram-se em questão de instantes.
domingo, 4 de março de 2012
Os sorrisos mais julgados como sem significado são os que mais fazem sentido na verdade.
São os que mais atraem outros sorrisos.
Os mais sujeitos a outros risos.
Os mais propícios as horas que não há mais porque falar.
Você apenas rir, e isso adquire muito mais sentido do que qualquer palavra.
Você apenas olha, você não precisa prestar atenção e no entanto você o faz involuntariamente
Analisa sem ter porque.
Quando você percebe que é muito melhor fazer tudo sem porque, sem ter precisão, sem ter significado específico.
Então você apenas sente.
Você apenas olha, você apenas rir.
São os que mais atraem outros sorrisos.
Os mais sujeitos a outros risos.
Os mais propícios as horas que não há mais porque falar.
Você apenas rir, e isso adquire muito mais sentido do que qualquer palavra.
Você apenas olha, você não precisa prestar atenção e no entanto você o faz involuntariamente
Analisa sem ter porque.
Quando você percebe que é muito melhor fazer tudo sem porque, sem ter precisão, sem ter significado específico.
Então você apenas sente.
Você apenas olha, você apenas rir.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Coca- cola a café. Era umas das poucas coisas que eu sabia sobre ela.
- Qualquer filme assim meio triste, meio feliz, meio romântico, meio assustador. Pode ser cômico também.
Ahh! E...
- Espera. É só um filme, querida!
- Exatamente. Já que só poderemos assistir a um filme hoje, quero que tenha as características dos mais variados tipos de filmes. Essa foi a primeira resposta da mulher que deixava Francisco sempre perplexo. Sempre hipnotizado, e condicionado a olhar fixamente o que parecia ser a coisa mais importante para ele no momento. Pelo menos por essa noite.
- A resposta fora a primeira da noite.
- E continuando a conversa, Francisco se recompôs do estante em que ela tinha o deixado sem ação e prosseguiu: Meu bem, será difícil encontramos um filme tão completo. O que você acha de escolhermos filmes para esta semana e hoje assistiremos a apenas um tipo de filme.
- Tudo bem. Podemos ver um de drama.
- Nossa! Foi o único tipo que ela não tinha mencionado a principio. E era exatamente o tipo de filme que eu mais gostava. Pensou Francisco.
Então colocaram o filme.
"Trágico. Ele tinha se apegado aos detalhes"
Sim. Esse era o nome do filme.
A menina estava vidrada no filme desde o trailer, enquanto Francisco estava focado no nome do filme, embora já estivesse passando a 36 minutos.
Como me sinto estranho hoje. Não conheço essa garota há dois dias e parece que ela já tomou toda a minha atenção.
Será que ela é assim com todos? Parece ter o dom de roubar todo e qualquer momento para ser destinado a um olhar.
Aquele bem preciso, aquele que só podia ser voltado para ela.
Eu não sabia o que estava sentindo. Mas eu podia dizer o que estava pensando.
E não é fácil de errar.
O título do filme me fez voltar as 48 horas anteriores que eu tinha passado com ela. As mais incríveis 48 horas da minha vida.
Nos conhecemos em uma banca de revista.
Eu estava comprando apenas uma água.
Ela? Ah, ela estava linda.
Ela era linda.
Bem, o que ela estava fazendo na banca eu não sei dizer ao certo. Talvez ela estivesse escolhendo um daqueles livrinhos de bolso. Deduzo isso, porque sua expressão era de indecisão, e se não me engano ela estava olhando pra um desses livros.
Realmente todo e qualquer outro detalhe que não fosse o seu rosto delicado e ao mesmo tempo bastante expressivo parecia ser desprezível no momento.
Só que isso foi até eu ouvir a voz dela.
Nem muito grave, nem um pouco fina. Era única. Um sotaque que não parecia ser o meu.
Sabia. Ela só podia ser de um lugar ainda não descoberto.
Um lugar colonizado por uns feiticeiros dos bons.
Engraçado como meu pensamento ia longe. E daqui pra frente ia ser sempre assim.
Voltando ao primeiro encontro...
Preciso parar de desviar os rumos do enredo sempre que a protagonista é ela.
Caros leitores, vocês podem pensar que pude ouvir a voz dela porque me dirigi a ela.
E no entanto não foi isso que aconteceu.
Se se lembras bem o motivo pelo qual eu estava ali era sede.
E por mera coincidência ou não, ela também estava.
E foi a primeira coisa que ela tinha me pedido.
"Ah! Você pode me dar um pouco? Tou morrendo de sede e meu dinheiro acabou. Só dá pra comprar o meu livrinho, que por incrível que pareça eu ainda não consegui escolher."
E antes de dizer "Claro", soltei um risinho e fiz um comentário para impressioná-la:
- Você é uma daquelas que sobreviveria sem água com a condição de existir livros pra suprir a falta. E dei a água a ela.
- Ela não falou nada. Apenas riu e disse obrigada, devolvendo a água pra mim.
E apesar de triste por ela não ter respondido e parecer ter desprezado meu comentário, agradeci por ela ter rido.
Que sorriso! Fiquei com vontade de beijá-la.
Mas a única coisa que fiz foi convidá-la pra tomar um café. Pessoas que leem geralmente gostam de café, pensei.
Sua resposta foi: "Claro, mas você toma o café e eu tomo uma coca-cola bem gelada."
Essa menina estava me fascinando. Porque vocês não sabem, mas sou fascinado por pessoas que são o oposto do que eu penso. Misteriosas evidentemente.
-Lindo, não?
O filme tinha acabado e eu não tinha prestado atenção em nada.
Então apenas falei, me recompondo para o mundo real:
- Trágico, ele tinha se apegado os detalhes.
-Ela riu.
E como de praxe, fazia eu rir mais do que ela só pela felicidade de ter ganhado um sorriso dela.
E quando eu estava pensando que a minha necessidade era ter aquele sorriso todos os dias pra mim, ela me interrompeu, dizendo:
Foi ótimo te conhecer, Francisco.
É uma pena que não poderemos assistir os filmes dessa semana.
Irei embora hoje de madrugada. Deixei minhas malas prontas antes de vim pra cá.
- Como? Por que você não me falou nada?
- Precisava ter você pra mim por um instante, nem que fosse para assistir um drama, mas com a condição de ver você feliz. Adeus!
Foi a última resposta da noite.
Faltou chão.
A única coisa que pude pensar além de ter descoberto o porque da necessidade dos mais variados filmes em um só que ela tinha pedido de início, foi que a saudade era o mais terrível sentimento do mundo.
Comecei a sentir desde já.
O trágico é que eu tinha me apegado aos detalhes.
Ahh! E...
- Espera. É só um filme, querida!
- Exatamente. Já que só poderemos assistir a um filme hoje, quero que tenha as características dos mais variados tipos de filmes. Essa foi a primeira resposta da mulher que deixava Francisco sempre perplexo. Sempre hipnotizado, e condicionado a olhar fixamente o que parecia ser a coisa mais importante para ele no momento. Pelo menos por essa noite.
- A resposta fora a primeira da noite.
- E continuando a conversa, Francisco se recompôs do estante em que ela tinha o deixado sem ação e prosseguiu: Meu bem, será difícil encontramos um filme tão completo. O que você acha de escolhermos filmes para esta semana e hoje assistiremos a apenas um tipo de filme.
- Tudo bem. Podemos ver um de drama.
- Nossa! Foi o único tipo que ela não tinha mencionado a principio. E era exatamente o tipo de filme que eu mais gostava. Pensou Francisco.
Então colocaram o filme.
"Trágico. Ele tinha se apegado aos detalhes"
Sim. Esse era o nome do filme.
A menina estava vidrada no filme desde o trailer, enquanto Francisco estava focado no nome do filme, embora já estivesse passando a 36 minutos.
Como me sinto estranho hoje. Não conheço essa garota há dois dias e parece que ela já tomou toda a minha atenção.
Será que ela é assim com todos? Parece ter o dom de roubar todo e qualquer momento para ser destinado a um olhar.
Aquele bem preciso, aquele que só podia ser voltado para ela.
Eu não sabia o que estava sentindo. Mas eu podia dizer o que estava pensando.
E não é fácil de errar.
O título do filme me fez voltar as 48 horas anteriores que eu tinha passado com ela. As mais incríveis 48 horas da minha vida.
Nos conhecemos em uma banca de revista.
Eu estava comprando apenas uma água.
Ela? Ah, ela estava linda.
Ela era linda.
Bem, o que ela estava fazendo na banca eu não sei dizer ao certo. Talvez ela estivesse escolhendo um daqueles livrinhos de bolso. Deduzo isso, porque sua expressão era de indecisão, e se não me engano ela estava olhando pra um desses livros.
Realmente todo e qualquer outro detalhe que não fosse o seu rosto delicado e ao mesmo tempo bastante expressivo parecia ser desprezível no momento.
Só que isso foi até eu ouvir a voz dela.
Nem muito grave, nem um pouco fina. Era única. Um sotaque que não parecia ser o meu.
Sabia. Ela só podia ser de um lugar ainda não descoberto.
Um lugar colonizado por uns feiticeiros dos bons.
Engraçado como meu pensamento ia longe. E daqui pra frente ia ser sempre assim.
Voltando ao primeiro encontro...
Preciso parar de desviar os rumos do enredo sempre que a protagonista é ela.
Caros leitores, vocês podem pensar que pude ouvir a voz dela porque me dirigi a ela.
E no entanto não foi isso que aconteceu.
Se se lembras bem o motivo pelo qual eu estava ali era sede.
E por mera coincidência ou não, ela também estava.
E foi a primeira coisa que ela tinha me pedido.
"Ah! Você pode me dar um pouco? Tou morrendo de sede e meu dinheiro acabou. Só dá pra comprar o meu livrinho, que por incrível que pareça eu ainda não consegui escolher."
E antes de dizer "Claro", soltei um risinho e fiz um comentário para impressioná-la:
- Você é uma daquelas que sobreviveria sem água com a condição de existir livros pra suprir a falta. E dei a água a ela.
- Ela não falou nada. Apenas riu e disse obrigada, devolvendo a água pra mim.
E apesar de triste por ela não ter respondido e parecer ter desprezado meu comentário, agradeci por ela ter rido.
Que sorriso! Fiquei com vontade de beijá-la.
Mas a única coisa que fiz foi convidá-la pra tomar um café. Pessoas que leem geralmente gostam de café, pensei.
Sua resposta foi: "Claro, mas você toma o café e eu tomo uma coca-cola bem gelada."
Essa menina estava me fascinando. Porque vocês não sabem, mas sou fascinado por pessoas que são o oposto do que eu penso. Misteriosas evidentemente.
-Lindo, não?
O filme tinha acabado e eu não tinha prestado atenção em nada.
Então apenas falei, me recompondo para o mundo real:
- Trágico, ele tinha se apegado os detalhes.
-Ela riu.
E como de praxe, fazia eu rir mais do que ela só pela felicidade de ter ganhado um sorriso dela.
E quando eu estava pensando que a minha necessidade era ter aquele sorriso todos os dias pra mim, ela me interrompeu, dizendo:
Foi ótimo te conhecer, Francisco.
É uma pena que não poderemos assistir os filmes dessa semana.
Irei embora hoje de madrugada. Deixei minhas malas prontas antes de vim pra cá.
- Como? Por que você não me falou nada?
- Precisava ter você pra mim por um instante, nem que fosse para assistir um drama, mas com a condição de ver você feliz. Adeus!
Foi a última resposta da noite.
Faltou chão.
A única coisa que pude pensar além de ter descoberto o porque da necessidade dos mais variados filmes em um só que ela tinha pedido de início, foi que a saudade era o mais terrível sentimento do mundo.
Comecei a sentir desde já.
O trágico é que eu tinha me apegado aos detalhes.
sábado, 19 de novembro de 2011
A doce melodia de uma tragédia.
Marionetes enfeitados em demasia já não satisfazem o teatro humorístico.
Nossa peça que delimita-se entre o riso e as palmas já não encontra abrigo em nossa alma.
Quem anda agradando-a são os finais não felizes.
Notórios pela tragédia e ávido pelo não clichê.
Sorrir já não é tão divertido quanto a seriedade de um espetáculo.
A calma não é concedida dessa forma.
Será que é valido contrariar o riso e sua causa?
Acostume-se ao chão.
A moda do não clichê.
Acostume-se a brindar a tragédia de um triste final.
Acostume-se.
Ou não.
Nossa peça que delimita-se entre o riso e as palmas já não encontra abrigo em nossa alma.
Quem anda agradando-a são os finais não felizes.
Notórios pela tragédia e ávido pelo não clichê.
Sorrir já não é tão divertido quanto a seriedade de um espetáculo.
A calma não é concedida dessa forma.
Será que é valido contrariar o riso e sua causa?
Acostume-se ao chão.
A moda do não clichê.
Acostume-se a brindar a tragédia de um triste final.
Acostume-se.
Ou não.
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