Ele bateu a porta dos fundos pra não precisar ser interrogado nem pela sombra que vir-se a passar por ele. Deixou -me alí sem reação, e saiu sem achar que devia mais alguma explicação. Como se o protagonista desse enredo pudesse sair de cena e ,sem mais nem menos, pular fora.
Pensei se devia correr atrás daquele ser arrogante demais pra me dar o direito de perguntar e responder, se é que havia algum questionamento.
Se havia, não era importante o suficiente pra despertar nele tamanha curiosidade. (A curiosa da história sempre fui eu.). Agora ele deve estar em uma mesa de bar contando aos seus mil e um amigos o quanto tirou um peso de suas costas. E infelizmente essa parte do diálogo só vai durar algumas breves frases, depois partirão pra qualquer assunto, menos chato do que eu como pivô.
Conhecendo-o bem, ele vai beber seus chops, e no décimo terceiro vai ser o cara mais sentimental do mundo. Pena que não vou estar a disposição pra atender a ligações de bêbados-arrependidos-carentes. Queria poder dizer que vou estar em uma balada com minhas amigas, me divertindo com até a pergunta do garçom pra saber se deve repor o champanhe. A verdade é que minha cama junto com meu cobertor e qualquer filme melodramático me atraem mais nesses momentos em que, se estou mal, preciso me declarar a pessoa mais triste do mundo. Eu e minhas manias de ser exagerada pra qualquer coisa.
E o problema era exatamente esse. Ele não era qualquer coisa, o motivo não era qualquer. E a culpa era toda dele. Sabe aquele tipo que no primeiro encontro te sugere a própria cama como lugar ideal? É apenas uma tática: ou você é mais uma que vai dizer sim, e vai tirar a seca dele durante alguns poucos minutos de prazer ou você vai ser a que vai dar o fora e ele vai correr atrás até o fim pra te convencer que só sugeriu a sua cama porque é em seu quarto que ele encontra tudo que gostaria de compartilhar com um novo amor. E se você não tivesse o mesmo gosto que ele, bom pra trocar ideias, se tivesse, ótimo pra compartilha-las. O seja, ele não sairia perdendo em nenhum dos casos. Só uma idiota como eu pra achar uma tática brilhante, e me apaixonar por um babaca neste nível.
Obviamente, quando ele conseguisse te convencer, você ia ter a maior curiosidade do mundo em saber o que ele guardava em seu quarto, e claro, como jogador experiente, iria alegar que só poderia matar sua curiosidade te levando ao local.
É neste quarto incrível que ele tem desde o Mini-Studio fotográfico, até sua coleção de filmes.
Melhor programa não haveria pra passar os fins de semana e qualquer tempo de sobra na semana do que lá. Ou aqui, melhor dizendo. Estou aqui ainda em seu quarto, olhando pra tudo nostalgicamente, e já esquecendo-me de como ele é auto-suficiente o suficiente pra sair, sendo o protagonista, do seu próprio cenário. Tudo bem que o cenário era nosso, uma vez que estávamos juntos, mas quando não se há mais filme pra rolar, o que sobra é o lugar, bruto, e singularmente torna-se apenas dele.
Vou fazer questão de deixar minha coleção de sutiãs na sua gaveta, meu perfume em cima da penteadeira, minha escova do bob esponja, e todo e qualquer pertence que eu sei o quanto vai o deixar nostálgico no quarto que outrora era o o lugar pra pôr em prática sua tática com as gostosas.
Eu não era tão gostosa assim, na verdade, não era, e ele ficou comigo exatamente dois anos, 4 meses, 5 dias, e 50 minutos. Talvez a minha risada repentina combinasse com seu bom humor diário, e seu brigadeiro divino com meus desejos frequente por chocolate. O que não combinava era as nossos perfis de advogados, que defende até a morte algum ideário. Era nesse ponto que ele perdia a paciência e saia como se fosse a única forma de resolver o problema.
Eu sei que dessa vez a briga foi feia, e a paciência dele se esgotou mais rápido do que de costume, mas se for como das outras mil vezes, ele vai voltar, e dizer que sou a única que ele não consegue viver sem. Vai declamar o poema mais clichê e lindo do mundo " soneto da fidelidade" de Vinícius de Morais, seguido de um abraço que vai durar mais do que a briga motivadora disto.
Construído ou real, sempre vale a pena passar por aqui.
ResponderExcluirQue lindo laís!! Leio sempre seu blog e te entendo tanto! Você escreve tudo com realidade e eu me identifico totalmente! Se cuida.
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