Serenidade era seu sinônimo. Não acho que caberia bem começar a definição desse amor platônico, afirmando que sua beleza poderia ser comparada a algo sobrenatural.
Iria parecer muito vazio da minha parte dizer que seu contorno estético visual perfeito era o que me atraia, e na verdade tudo era sustentado por um ego inflamado que em mim habitava.
Então prefiro dizer que sua serenidade é o que me prende a estar a olhá-la continuamente.
Olhar não, seria vazio também, é mais digno dizer que a observo continuamente. desde seus passos lentos, e seu modo de virar-se para conversar com alguém, ou talvez, seu modo cauteloso de fingir que meu olhar fixo não a intimidou somado ao seu habitual e singelo toque dos dedos para mexer nos fios negros do seu longo cabelo.
Qualquer detalhe é imperdível e acumulativo nos meus dias tortuosos.
Penso se já aconteceu de seu lindos olhos me fitarem sem eu perceber, e algo em mim a atraiu pelo menos 1 terço do que tudo nela me atrai.
Penso que não sou bom o bastante para conseguir me aproximar e ver se o que eu vejo de longe é realmente muito parecido com o que os olhos não são capazes de enxergar.
Digo que se sua alma for tão bonita quanto o seu jeito sereno de viver, tornaria-me um ser questionador da existência da perfeição humana.
Só que ao mesmo tempo, penso que a inexistência do meu contato, e meus olhos, sendo o unico sentido que me leva até ela não seja suficiente para despertar tamanha dor que sinto.
Eu sei que o amor é doloroso, sei que se não sinto amor, minha dor é realmente duvidosa.
Talvez esta seja uma ferida associada a outros motivos.
Eu sou o motivo da minha dor.
Eu sou a fraqueza, a sensibilidade, e a baixa estima.
Na qual esta ultima me move a uma busca incessante pela satisfação do meu ego.
Mas posso estar enganado, se eu conseguir confirmar que existe algo de puro nesse sentimento.
Sensível à dor, sensível à alegria.
Tudo isso acabará quando ela me corresponder de alguma forma.
E mesmo reciproco ou não, minha alma pesará menos.
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