sábado, 8 de outubro de 2011

Desejo confundido.

A gente leva em conta a face e ignora a expressão
Presencia o infortúnio, e ignora
Descarta a estranheza das palavras
E prefere acreditar que a musicalidade explica
Na verdade ela desordena
Desequilibra e deslumbra
Enfim...
Fala-me excessivamente, mas nada existe na tua fala além de pretextos
Falsas-justificativas
Ouve-me, mas nada escuta verdadeiramente
Pinta, maquia, argumenta
Por fim, se contenta

Perdoa sem abraçar
Abraça sem perdoar

domingo, 11 de setembro de 2011

A verdade é que a gente sonha com os olhos da alma e também escreve com estes olhos.
Em contrapartida àquela simplória visão dos olhos comuns, que enxergam tudo à frente, mas não enxergam nada, de fato.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A culpa é um alívio para os fracos.

Breve como o desapego.
Incerto como o espaço de tempo entre um abraço e a recomposição do corpo.
Mover-se-ia pouco se pudesse.
Falaria só o planejado.
Assim as palavras sairiam como o melhor som a ser ouvido.
Não é uma apologia ao cálculo de palavras, mas o assumimento do desejo humano sobre a perfeição do que precisa ser dito.
No entanto, a verdade é que só os quereres momentâneos possuem credibilidade para ser escutado e obedecido.
Contaria mil minutos até poder encontrar a hora certa de dizer todas as palavras que fizeram parte de um discurso decorado há dias por você.
E quando chega o momento, parece que tudo vai por água baixo.
Quando você percebe que a sua cabeça já está se inclinando para baixo, e um sorriso sem graça já está se formando.
Os olhos te fitam, a espera do que você tem pra dizer.
Mas nem de um gesto você é capaz.
Mover-se-ia o pouco que pudesse. Mas nem isso.
A imobilidade do teu corpo é evidente.
É aí que você percebe o poder do outro sobre si, e toma a consciência de que todo o planejamento teria sido absorvido naquele momento.
Absorvido pelo único motivo das palavras planejadas.
Abstraído como qualquer coisa.
Irrelevante como qualquer momento que tivesse se passado antes daquele momento.
E por incrível que pareça, sua voz falha, pára, e desconcerta-se.
Como se você tivesse sido pego desprevenido de uma pergunta que julga não saber de imediato.
É nesse momento que você percebe o quanto as suas atitudes se contradizem involuntariamente ao se deparar com o objeto motivacional,que te fez parar no sorriso sem graça e ficar imóvel.
Sem palavras, sem ação.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Milhões de frases sem nenhuma cor.

Cores em válvulas sombrias.
Mais uma vez.
Mais outra vez, eu vejo.
Não suporto mais qualquer visão em cor que me chame a atenção.
Vou adentrá-las da ausência tua.
Os olhos serão meus reféns.
Reféns que só existem pela condição de serem apenas reféns.
Meus reféns.
A ausência cura.
Mas os olhos ainda são reféns.
Meus caros reféns.
Acostumaram-se com o fato de existir sob uma condição apenas.
E as cores já não voltaram mesmo.
Os olhos, caros olhos, reféns que são, existentes sob a condição de não ser.
Não mais dilatam, pois, sob condição nenhuma.
Mesmo assim os olhos ainda são os olhos;
A cores ainda são as cores;
E quanto a ausência...
Ah! Esta têm a frênquencia mais admirável.

domingo, 3 de julho de 2011

A cada passo, espaço.

As tuas mil atitudes incertas me deixariam apreensivas, caso eu não te conhecesse.
Mas é que você sabe, amor...
Sei exatamente o seu próximo passo agora.
Ah! E não me chama de amor também.
Só eu sei o quanto você banaliza essa palavra.
Nos olharemos fixamente agora, mas você não vai me dizer nada.
O silêncio será destrutivo por um momento.
Só que agora você sorrir.
Seu sorriso é lindo, amor. Mas esperava mais!
Sabes bem o quanto finges bem, não é mesmo?
No entanto, eu finjo melhor.
Faço parecer que não me importo.
Faço parecer que estou feliz.
Faço parecer que está tudo indo perfeitamente bem.
Desculpa, amor.
Mas do nosso caso banalizado só eu sei sobre você.
E terminado todo o momento "feliz", queria dizer pra não me olhar mais, preferi guardar outras lembranças que não seja a do teu olhar sem expressão.
Olhos vazios, incrédulos e superficiais.
Mas como manda nosso caso, corresponderei o teu olhar.
Pode ir agora.
Deixarei as tuas interpretações sobre mim em aberto, e quando resolver me entender como eu te entendo, espero que eu ainda esteja fingindo ao dizer que não me importo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Para quando pararmos de calcular.

No máximo, esperaria o mínimo daqueles que se mostram fronte ao perigo e se prostram contra a vontade de viver sem hesitações.
Pensaria por ultimo e por acaso nas condições que fariam de mim aquilo que qualquer ser corajoso demais possui desprezo.
Pensaria primeiro o que faria de mim o objeto de análise daqueles que busca o segredo de viver sem que as lágrimas precisem ser contadas e calculadas.
Choraria só por ironia.
E afirmaria que os meus motivos só são meus.
Pensaria,ainda primeiramente, que não preciso da tua proteção pra me assegurar mais viva.
E viveria mudando só por mudar.
Optaria por extrair de cada lugar a essência que sempre busquei nos recursos mais naturais e puros que cada lugar há de ter.
Seria irônico também.
O fato de eu querer vagar como nômade não passa de uma vontade.
Necessidade seria o ultimo caso.
Jamais direi que precisarei da tua pena. Pois não preciso de verdade.
Jamais diria que vivi a espera da liberdade.
Pois aquele que espera por esta jamais a quer por prioridade.
Foi e é da minha natureza esperar somente pelo que eu nunca fiz questão principal.
Geralmente arrisco toda a minha vida, quando aquilo que eu mais desejo está inalcançavel.
A privatização da vida é exatamente o exemplo mais claro dos pensamentos super calculados que jorram da mente humana.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Te exemplifico da forma que menos me atraíra.

Se não preciso de esforço pra te entender não há mistério em você.
Todas as tuas ações são explícitas.
Nada se subentende.
A Clareza é óbvia.
Os teus sentimentos não me interessam.
A tua fala é clichê demais pra me despertar algum tipo de atração.
Não foi a minha intenção te magoar.
Mesmo assim eu não me importo.
Não passa de alguém que soma àqueles outros velhos seres explícitos demais.
Sou fascinada pela falta de certeza.
E o excesso de clareza desanima.
Me descontenta, te torna opaco, te torna vago.
Se consigo te decifrar já não mais pensarei na tua existência como sendo algo além de um exemplo claro da falta de mistério.