Quando paro para pensar, e percebo que gastei milhões de minutos dedicando meu cérebro a um único pensamento. Que programei sem querer um tipo de condicionamento físico e mental que se recusa a olhar para o outro lado da esquina e ver que a plaquinha da loja que eu passo em frente todos os dias tem dois lados. Ora aberto, ora fechado.
Quase que eu não reparava na própria loja, não fosse pelo bom dia dado pelo segurança uniformizado, contratado, que insiste em uma educação desmedida. Distraída, sempre respondo, quase que por susto e irritada por ter que pausar o pensamento.
Muito preocupada em destinar esforços com adivinhações e análises embrulhadas de boas doses de desculpas que meu cérebro programa por não conseguir trabalhar com base em obviedades.
É um inventário contínuo de cenas estúpidas, e ,por incrível que pareça, seguem uma linha cronológica de fatos ininterruptos.
No fundo, eu sei que todas as desculpas, as justificativas, os fatos, as histórias que remetem a este pensamento são mais dignas da minha própria imaginação do que realistas.
Não que meu meu melhor amigo não tivesse precisado me dizer isso durante quase todos os dias em que eu suspirei para ele as migalhas de eventos em que estive presente com o alvo.
É quase tão tolo quanto perceber que me torno menos inteligente a medida que olho os livros amontoados,sem companhia, na instante do meu quarto.
Agora, mais realista, enxergando a realidade dos fatos, a ausência da clareza nas histórias programadas por mim, destinadas a alimentar um pensamento, passeio, olho, penso, vejo, escuto e percebo.
Até dou bom dia ao segurança defronte a loja, antes mesmo de ele notar meus passos se aproximando.
Não sei o que foi, mas ao que me parece, me sinto conformada.
Sei que as paixões dão certo por aí.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Memória
Esses dias comecei a analisar o jeito que fico analisando os
detalhes mais minuciosos de cada coisa, de cada ruela, de cada vila, de cada bairro.
O mercadinho que me lembra comida, que me lembra lanchonete, que me lembra que eu
estava tomando suco, enquanto ele comia sanduíche em um dia feliz e triste. Sentimento duelado marcado pela falta de posse somado a vista feliz que ele preenchia.
O suco me lembrou liquido, que me lembrou lágrima, lágrima que me lembra olhos. Seus olhos. Teus olhos tem pálpebras
marcadas, fundas, olheiras. Insônia. E aí me lembra que há dias não durmo, por pensar
demais. Inconscientemente você acha que não dormindo está mais sujeito e vulnerável ao acaso. Você espera que um milagre aconteça. O mesmo sentimento que você tem quando sai de casa. Mesmo sem saber direito para onde está indo, você procura algo, está a espera, a mercê. Não necessariamente procura um alvo especifico, mas um sorriso, um olhar, um encanto, um doce, uma bebida, um cigarro. Mas você não fuma. Mesmo assim, você também não sabe se hoje será seu primeiro dia.
Enquanto o sono não chega, ponho as músicas mais
belas, mais tristes. As letras mais vagas ou as mais cheias de ânimo para ver se no mínimo sonho. Sonho me lembra fantasia, que me lembra filme. Advinha. Teu melhor filme. Sorrio, choro. Ponho um filme para saciar lembranças. O filme começa. Contagem regressiva para as analogias, as comparações, as nostalgias que causam os parques que você nunca esteve. Mas você se vê. Sentada ao lado de alguém. Você não sabe quem é, o casal está de costas. Mesmo assim é uma cena bonita. Você fotografa, do seu celular mesmo, você divulga a foto. Se ele vê. Você é feliz. Em parte.
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