domingo, 8 de julho de 2012

Faço do teu sorriso um abrigo.

Quando meus pés perdem a função de reis de sustentação pra outro ser, que se diz meu amor, já posso dizer que as coisa mudaram sobre mim.
 É assim que as coisas funcionam agora, parece que tudo trocou ou pelo menos foi substituído. Nunca gostei de usar o termo substituição, mas é que ultimamente algo vem sido tomado de um jeito que até meus órgãos perderam suas funções.
Parece meio profundo demais para mim que permaneci subjetivando todos os casos da vida.
Outros dias ouviria nirvana por um dia inteiro, e no entanto  já faz um tempo que preciso, antes que termine meu dia,  escutar uma velha pitada romântica exagerada nas músicas mais clichês do mundo. 
É que não posso mais afirmar como maior verdade  o trechinho de "loves a game": "love is a just a game, brooken all the same".  
Na verdade ainda não tiro sua verdade, mas é que o "apenas" desse trecho é totalmente incoerente com a sina de vida dos providos de amor, o "apenas" estraga e limita, o "apenas"é vago e triste, pelo menos pra  mim que  faço questão dos teus  olhos parados e fixos olhando pra qualquer coisa, só pra eu  poder analisar-te  com mais calma, justificando a serenidade como o principal pivô da minha análise.
 E se eu disser que preciso que você fale qualquer coisa só pra eu poder confirmar que é a tua voz que é a mais linda falando qualquer coisa, e se eu disser que prefiro que você use qualquer roupa  porque na verdade nada importa se duas coisas ainda permanecerem em ti, e é fácil de  adivinhar,  é só você lembrar de como eu tenho necessidade de pôr minhas mãos sobre ti e fazer com que teus olhos abram o máximo que puder, e seu sorriso seja o maior possível ,aquele que mostre que é isto que me faz seguir bem.
Sou a pessoa mais satisfeita do mundo quando você encosta teu rosto no meu e parece dormir, olha pra mim e parece fazer planos gigantes, mesmo sabendo como eu sou chata as vezes, e digo "não sei nem se vou tá viva daqui a duas horas".
Ando sendo a pessoa mais feliz do mundo todos os dias que percebo que você acordou e quis me desejar bom dia, e foi dormir e quis me desejar boa noite. 
É dessa forma  que percebo que eu posso ter os dias mais cansativos  e entediados do mundo, porque sei que vou dormir como uma criancinha feliz.
Hoje só vou conseguir dormir se você disser que está feliz, só vou viver se você disser que me ama como eu te amo. 




sexta-feira, 27 de abril de 2012

Não chora assim, meu bem.

"...Nos meus braços você chorou a mais linda dor, a dor da culpa, e do arrependimento. Implorou pelo amor que pensava que havia perdido, e beijou-me como nunca dantes havia me beijado, abraçou-me com a maior força do mundo, aquela força que conforta e não machuca, e chorou, e chorou e chorou..."
    Será que eu devo perdoá-lo? Nossa! Só por esse choro melancólico, ele já ganhou metade da minha sensibilidade em relação a situação. Me via perdida entre sinais e pressentimentos que apontavam para o lado oposto do meu querer.
    Porque sim, na verdade eu queria perdoá-lo só pela primeira lágrima caída em seus olhos. Mas isso não podia acontecer! É claro que não podia acontecer. Pra onde a minha velha razão estava indo? De uns tempos pra cá, parece que todas as atitudes mediantes a razão havia sido enterrada junto com aquela minha velha frustração de "o amor não existe e ponto final".
    Algo que eu não sabia havia me tomado de um jeito que eu não sabia mais responder pelas minha ações.

  Eu que nunca amei ninguém.

   Esta era a explicação clara para essa mistura de quereres e sentimentos que haviam impregnado em mim. Se o que ele tinha feito era imperdoável, Não pra mim. Por mim o abraçaria pela primeira lágrima. Mas ele sabe, ele sabe mais do que eu que isso não irá acontecer. Ele sabe do meu orgulho. Ele sabe que ele vai precisar chorar mais, me beijar mais, me abraçar mais... Até eu dizer aquela frasezinha, que mais clichê não há: "Vou pensar no seu caso."
   Só que aí que está o problema. Ele também sabe como ninguém, que quando eu pisco meus olhos ou fixo meu olhar no nada, é a prova de que o que eu disse é exatamente o contrário do que eu queria dizer. E se eu não soubesse o que dizer, provavelmente olharia em seus olhos e riria aquele riso de criancinha feliz. Como sempre.

       É assim que a situação se inverte naquele jogo de submissões:

   Outrora ele se via submetido a mim e as minha decisões, agora eu me via submissa as suas lágrimas. É claro que eu sou suspeita pra falar quando refiro-me a lágrimas de um homem. Porque pra mim, poucas coisas são tão lindas quanto ver um homem chorando. E ainda mais quando você se vê como motivo dessas lágrimas, dessa água pura de olhos sinceros, e não de qualquer homem, mas daquele que te fazia duvidar da razão.

     Tudo parecia acontecer milimetricamente como um costume rígido. 

E foi assim mesmo que aconteceu. No final o meu orgulho sede e ele sempre vence no final. O impulso é o ser mais constante do momento, as respirações são as mais ofegantes, e os olhos de ambos parecem devorar um ao outro.
    De repente aquele perfume meio suave, meio forte, meio fatal demais pra mim que me via vulnerável às coisas mais tolas do mundo, me tomou por inteira. E nossos corpos e almas confundiram-se em questão de instantes.

domingo, 4 de março de 2012

Os sorrisos mais julgados como sem significado são os que mais fazem sentido na verdade.
São os que mais atraem outros sorrisos.
Os mais sujeitos a outros risos.
Os mais propícios as horas que não há mais porque falar.
Você apenas rir, e isso adquire muito mais sentido do que qualquer palavra.
Você apenas olha, você não precisa prestar atenção e no entanto você o faz involuntariamente
Analisa sem ter porque.
Quando você percebe que é muito melhor fazer tudo sem porque, sem ter precisão, sem ter significado específico.
Então você apenas sente.
Você apenas olha, você apenas rir.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Coca- cola a café. Era umas das poucas coisas que eu sabia sobre ela.

- Qualquer filme assim meio triste, meio feliz, meio romântico, meio assustador. Pode ser cômico também.
Ahh! E...
- Espera. É só um filme, querida!
- Exatamente. Já que só poderemos assistir a um filme hoje, quero que tenha as características dos mais variados tipos de filmes. Essa foi a primeira resposta da mulher que deixava Francisco sempre perplexo. Sempre hipnotizado, e condicionado a olhar fixamente o que parecia ser a coisa mais importante para ele no momento. Pelo menos por essa noite.
- A resposta fora a primeira da noite.
- E continuando a conversa, Francisco se recompôs do estante em que ela tinha o deixado sem ação e prosseguiu: Meu bem, será difícil encontramos um filme tão completo. O que você acha de escolhermos filmes para esta semana e hoje assistiremos a apenas um tipo de filme.
- Tudo bem. Podemos ver um de drama.
- Nossa! Foi o único tipo que ela não tinha mencionado a principio. E era exatamente o tipo de filme que eu mais gostava. Pensou Francisco.
Então colocaram o filme.
"Trágico. Ele tinha se apegado aos detalhes"
Sim. Esse era o nome do filme.
A menina estava vidrada no filme desde o trailer, enquanto Francisco estava focado no nome do filme, embora já estivesse passando a 36 minutos.

Como me sinto estranho hoje. Não conheço essa garota há dois dias e parece que ela já tomou toda a minha atenção.
Será que ela é assim com todos? Parece ter o dom de roubar todo e qualquer momento para ser destinado a um olhar.
Aquele bem preciso, aquele que só podia ser voltado para ela.
Eu não sabia o que estava sentindo. Mas eu podia dizer o que estava pensando.
E não é fácil de errar.
O título do filme me fez voltar as 48 horas anteriores que eu tinha passado com ela. As mais incríveis 48 horas da minha vida.
Nos conhecemos em uma banca de revista.
Eu estava comprando apenas uma água.
Ela? Ah, ela estava linda.
Ela era linda.
Bem, o que ela estava fazendo na banca eu não sei dizer ao certo. Talvez ela estivesse escolhendo um daqueles livrinhos de bolso. Deduzo isso, porque sua expressão era de indecisão, e se não me engano ela estava olhando pra um desses livros.
Realmente todo e qualquer outro detalhe que não fosse o seu rosto delicado e ao mesmo tempo bastante expressivo parecia ser desprezível no momento.
Só que isso foi até eu ouvir a voz dela.
Nem muito grave, nem um pouco fina. Era única. Um sotaque que não parecia ser o meu.
Sabia. Ela só podia ser de um lugar ainda não descoberto.
Um lugar colonizado por uns feiticeiros dos bons.
Engraçado como meu pensamento ia longe. E daqui pra frente ia ser sempre assim.

Voltando ao primeiro encontro...
Preciso parar de desviar os rumos do enredo sempre que a protagonista é ela.

Caros leitores, vocês podem pensar que pude ouvir a voz dela porque me dirigi a ela.
E no entanto não foi isso que aconteceu.
Se se lembras bem o motivo pelo qual eu estava ali era sede.
E por mera coincidência ou não, ela também estava.
E foi a primeira coisa que ela tinha me pedido.
"Ah! Você pode me dar um pouco? Tou morrendo de sede e meu dinheiro acabou. Só dá pra comprar o meu livrinho, que por incrível que pareça eu ainda não consegui escolher."
E antes de dizer "Claro", soltei um risinho e fiz um comentário para impressioná-la:
- Você é uma daquelas que sobreviveria sem água com a condição de existir livros pra suprir a falta. E dei a água a ela.
- Ela não falou nada. Apenas riu e disse obrigada, devolvendo a água pra mim.
E apesar de triste por ela não ter respondido e parecer ter desprezado meu comentário, agradeci por ela ter rido.
Que sorriso! Fiquei com vontade de beijá-la.
Mas a única coisa que fiz foi convidá-la pra tomar um café. Pessoas que leem geralmente gostam de café, pensei.
Sua resposta foi: "Claro, mas você toma o café e eu tomo uma coca-cola bem gelada."
Essa menina estava me fascinando. Porque vocês não sabem, mas sou fascinado por pessoas que são o oposto do que eu penso. Misteriosas evidentemente.

-Lindo, não?
O filme tinha acabado e eu não tinha prestado atenção em nada.
Então apenas falei, me recompondo para o mundo real:
- Trágico, ele tinha se apegado os detalhes.
-Ela riu.
E como de praxe, fazia eu rir mais do que ela só pela felicidade de ter ganhado um sorriso dela.

E quando eu estava pensando que a minha necessidade era ter aquele sorriso todos os dias pra mim, ela me interrompeu, dizendo:
Foi ótimo te conhecer, Francisco.
É uma pena que não poderemos assistir os filmes dessa semana.
Irei embora hoje de madrugada. Deixei minhas malas prontas antes de vim pra cá.
- Como? Por que você não me falou nada?
- Precisava ter você pra mim por um instante, nem que fosse para assistir um drama, mas com a condição de ver você feliz. Adeus!
Foi a última resposta da noite.

Faltou chão.

A única coisa que pude pensar além de ter descoberto o porque da necessidade dos mais variados filmes em um só que ela tinha pedido de início, foi que a saudade era o mais terrível sentimento do mundo.
Comecei a sentir desde já.

O trágico é que eu tinha me apegado aos detalhes.

sábado, 19 de novembro de 2011

A doce melodia de uma tragédia.

Marionetes enfeitados em demasia já não satisfazem o teatro humorístico.
Nossa peça que delimita-se entre o riso e as palmas já não encontra abrigo em nossa alma.
Quem anda agradando-a são os finais não felizes.
Notórios pela tragédia e ávido pelo não clichê.
Sorrir já não é tão divertido quanto a seriedade de um espetáculo.
A calma não é concedida dessa forma.
Será que é valido contrariar o riso e sua causa?

Acostume-se ao chão.
A moda do não clichê.
Acostume-se a brindar a tragédia de um triste final.
Acostume-se.


Ou não.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Parou, olhou, sorriu e foi embora.

E assim se baseou o fim de um início mal começado.
O tempo decretou que apenas o breve seria propício aos casos felizes.
E mais uma vez tomou a atitude mais importuna para o momento.
Sempre escolhe ser causa e consequência do que decreta.
E mais uma vez, escolhe não pedir permissão.
Resolve praticar a não hesitação. Como eu.
Como as flores, os animais, e o mar.
Que são resolvidos pela natureza do instinto.

O amor se torna um instinto.
E extinto pela distância.


As palavras são alvo do mais forte impulso que um ser humano pode carregar.
E o sofrimento vem carregado automaticamente.
Por fim, enfim, meu bem.
Prometo que veremos o pôr e o nascer do sol, as ondas e a calmaria do mar, a qualquer dia que o tempo resolver ser solidário para com os casos felizes mal começados.
Prometo.
Fala que só por hoje você vai lembrar?
Rir e lembrar.

sábado, 15 de outubro de 2011

Seria cômico se não fosse trágico.

Qual seria o nosso disfarce para hoje?
De hoje em diante programaremos a máscara perpétua da noite.
Faremos tudo sem precisar sermos notados.
Passaremos despercebidos pelas noites frias.
(Não é que eu queira enfatizar e restringir o disfarce de acordo com o clima,
mas as noites são frias, geralmente.)
Não vou criar exceções,de praxe, pra reafirmar a obviedade dos famosos ditados falsos.
Falarei apenas que a regra é o disfarce, e isto independe da situação.
Reafirmarei apenas a coisa mais notória do mundo:

As pessoas são máscaras.

E nos acostumaremos a usá-la para fazermos ironia à vida como um ato de pura reciprocidade.
Sim. Eu quis explicitar a ironia que a vida nos prega.
Nada melhor e de mais justo como um ato correspondente.
Pois, me responde você, Vida!
Me explica todas as peças que você prega, e usa-me como exemplo da tua expicação.
Seria ótimo saber as contrariedades que tu me prega a todo instante.
Percebo que é sempre.

Sempre decides mostrar que a reciprocidade é privilégio de alguns; que o amor é bonito em livros; que a tranquilidade é eterna quando estamos em frente ao mar, que poucos momentos são concededores da felicidade, e ainda existe coisas que a compram.
Tenta nos fazer acreditar que o tempo cura, e a esperança é a última que deve morrer.

- Ora, o tempo não cura.
E a contradição explica perfeitamente: "A lembrança é uma das virtudes que você, Vida, nos concede. É esse mesmo poder da memória que nos faz lembrar tudo, que por sinal, o tempo não apaga.
Logo, não cura."
A esperança, pelo contrário, deve morrer assim que se notar que o que deseja não é válido. Ela só nos frustra à proporção que é alimentada.
No caso da felicidade, a quantidade vence a qualidade. Pois vários sentimentos são capazes de anulá-la. (Por mais grandiosa que ela possa parecer, o seu papel é ser frágil e ,por isso, não duradoura.)
Quanto ao amor e a reciprocidade, concordo com a tua descrição.
Infeliz realidade!

Desculpa se não dei espaço pra você me responder.
Mas ignoro automaticamente máscaras à minha frente.
Não se esqueça que ainda posso ver sua máscara.
Pois sabes bem que a visão só é me tirada quando você tenta deixar eu me levar pelas ilusões amorosas ofuscantes da lucidez.


Engraçado como vem sempre o cidadão, com aquela velha máscara, e me diz pra esperar, falando assim:
" Pare de correr atras das explicações. Ela virá até você em forma de ações benévolas."
Mas aí vem aquela hesitação:
"Acreditar ou não em um cidadão de máscara?"

Daí me cabe responder:

"Irei esperar pessoas sem máscaras se digirem à mim. Talvez aí, meu senhor, depois disso tentarei seguir os conselhos da tal pessoa.
Enquanto isso, irei esolher minha máscara de hoje.
Escolherei, provavelmente, a que combinar mais com a noite, com a tua frieza, com a vida."