Aquilo que eu acreditava já não passava de uma mentira disfarçada, escondida. Mentira medíocre, medíocres caras. Com máscaras demasiadas de insegurança, com as mãos cheias de sangue, com poucas vestes, sem muitas palavras, poucas explicações.
Eu quero explicações.
Numa tarde de domingo, oh domingo tão monótono, vejo o horizonte tão de perto, mas não consigo tocá-lo.
Eu quero tocá-lo.
O que é aquilo? Por que a neblina tampa toda a minha visão?
Eu quero enxergar.
Só que dessa vez eu também preciso. Vem a questão da necessidade, que eu já não suporto. Queria não necessitar de coisas, apenas apreciá-las, sem muito apego, sem muita precisão.
Não queria pensar em ideologias, meus ideais são fantasiosos demais, um tanto místicos, logo, inatingíveis, surreais. É uma pena, são tão utópicos que não consigo enxergar a plenitude de alcançá-los. Essas Ideologias idealizadas, planejadas, por fim, frustradas.
Em fins trágicos, tomando por si a dor de alguém que não merecia. Chorando por alguém que agora rir de você, soprando um vento em direção contrária, apreciando uma tempestade temerosa pela maioria.
Talvez, seja esse o problema. Não faço parte da maioria.
Nem faço parte da minoria.
De onde eu faço parte afinal? O que me pertence?
Não faço parte de nada que tenha nome, faço parte do impossível, do inacreditável. Sei lá, acho que nem disso eu faço parte, porque poucas coisas me pertencem. Nada é de ninguém,assim como eu não sou de ninguém,nem eu mesmo me pertenço. Sou apenas habitante de um corpo, que vou deixar brevemente, em um futuro que eu não sei dizer. O que sei é que vai chegar. A arte de prever não me foi concedida, assim como a arte de evitar.
Tentei evitar dúvidas, tentei evitar sensações malignas e malévolas e maliciosas e sarcásticas, tentei evitar a seriedade e a tristeza e separações e pensamentos e mágoas e impulsos e palavras. Tentei evitar. E só tentei.
Precisava de mais, de mais alguma coisa que faltava só que eu não sabia o que faltava. Tentava procurar coisas que pudessem tirar essa terrível sensação de falta, e não conseguia achar, porque simplesmente era indescritível.
Mas acho que consigo dar nome pra tudo isso. Talvez seja ser humano. Nós somos seres tão complexos que somos capazes de sentir tudo ao mesmo tempo, de perceber com poucas demonstrações, de falar sem pensar, de fazer sem temer, de ver sem enxergar, de ouvir sem escutar, de amar sem querer.
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