quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Até quando, na relações atuais, o amor será alvo de um jogo de egos? Além de absurdo, é paradoxal. Visto que, quem ganha é o sujeito que ama menos. Quem ama muito, quem ama demasiado, sendo, portanto, mais amante do que amado, perde. Perde o poder de conquista, torna-se vulnerável, perde o controle e perde-se. No jogo das relações perder-se é sinal de fraqueza, motivo para recuar duas casas. Mas, no fim, quem mais perde é o amor, que acaba por perder o sentido.

O acalento

Aquela ausência declamada
Derramada em chorinhos bonitos
Ouvia-se melancólica a tristeza
Ao som que propagava

No Poço da panela três velhos músicos
Faziam da falta que eu sentia
Do platônico amante desejado
Do pranto que não se prendia

Do amor desvairado, descabido
De um coração maltratado
Uma dor suportável ao ouvido

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Metapoesia

Diverso, pocesso é o verso
À duras penas mal sabia
Escrever  se faz  processo

Reconstituição, reparação
Tudo era inconcluso
Até conseguir libertação

Vigia rima com fingia
Em qual verdade  se encaixam
As palavras dessa língua
Nem de longe  falam

Se busco símbolos
Me falta linguagem
Mas se me prendo à isso
O excluo de várias tribos

A verdade é que não sei
Tampouco entendo
Quais versos
Vão soar mais sinceros

Se eu decido declarado
Sentimento desprendido
Pareço fazer pouco caso
Do turbilhão que há comigo

Um amigo fumante



Mapeava o local em um trago
Andarilho solto era o amigo
Que precisava de cigarro

Meia volta ali, à espreita
Esperava não está à mercê
Depois de feito a cabeça

Ritual que mistura fumaça
Depois da primeira
A outra era a que anulava

Queres um? Perguntava
Com um aceso em minha frente
Mas era tão dele a cena
Que estragar não tinha em mente

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Decisão arriscada

Se você sumir eu juro que te esqueço.
Mudo o cabelo, troco o endereço.
Faço as pazes com aquele rapaz
Corro o risco e volto ao cais.
Comigo funciona a presença.
Falta de contato, ou de tato,
você sabe, não tenho paciência.
Também não gosto de ladainha.
Quando volta e faz o arrependido,
perceberás a vaidade comigo
Cabelo comprido e nova companhia.
Mas isso tudo é mania minha.
Remediar o trágico, e te atentar
ao caso de querer sumir,
quando decidiu me amar

Bom humor matinal


Enquanto corria a água límpida
um verso gritante cantarolava
Dentro de mim havia música,
mas ela vinha de fora


E o líquido jorrava, o sol refletia.
Adentrava sem se preocupar.
O silêncio cortante que antes existia

Não tinha água, nem aurora
Muito menos verso de música 
Deixando beleza rústica, foi embora 

Agora, o instante que se refaz
é feito de mar como outrora. 
É feito de céu, 
E toda a energia que ele traz

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Vacas magras

São conjunto de valores
O preço que difere nas gôndolas
Não vem do grau de vista
Discrepância que causa dores
Vem desse princípio elitista

A roupa que veste não pode ser nova
Sente a pulsação do mundo
Segue a Inflação da nova cota

Não depende do ponto de vista
O buraco é mais fundo

Pode ver no gráfico
Sem espaço pra turista
Muito menos pra o tráfico

Ou será só balela e teoria?
Carrega teu resto, teu trapo


É sim verdade,
Toda a bagunça no senado
Não há luxo pra essa economia

Estoca a merenda e o trocado
Estoca a boa fé e a tua crença
Estoca a passagem e o bebê esperado

Sem vaidade
Esquece o perfume importado
Esquece o cinema e o teatro

Lembra que de ingresso
Só se for por outro mando no congresso

Esquece os bons vinhos
O chocolate francês
Comida não falta só na África
Ó pátria amada é sua vez