quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Memórias de um carnaval em Olinda

Expulso da memória.
Não tive pulso.
Daquele carnaval,
só sobrou o Russo

Como ele, tive vontade
de fazer mandinga.
Pular de paraquedas
Fazer serenata

Hoje estava tocando uma música
Não era  frevo, nem o Rappa
Era o rei
Não  o Roberto, era o gringo
Foi assim que lembrei

Marco Zero ao delírio
Até Nação tinha
Mas recordo  mais do dia 
Quando em  Olinda, alguém vinha

Sempre tão linda.
Agora mais ainda
Pareceu menos impossível
encontrar alguém.

Entre bonecos gigantes
pessoas fantasiadas encontrei.
Desencontrei e esbarrei

Esse carnaval foi lindo.
Dele só sobrou mesmo o Russo.
Na volta, eu chorei.

Passateupulso, Passapusso
Era dele o álbum que eu ouvia
Fascinante, nostálgico

O que eu precisava para ter perto
O que hoje em dia  soa trágico

Paraíso da miragem
A coleção se chamava
O que um dia foi  crença certa
Agora é passagem

Russo não deu cura
Eu segui sem pulso
E o carnaval passou num curta
Por pouco não foi miragem




domingo, 18 de outubro de 2015

Carinho e poesia


Mais que um deleite, viver é gratidão
É um presente,
É construir admiração

Pessoas como você
Sobrepõe a medição de um curto instante
Capaz de gerar saudade
Que não comporta um semblante

Meu semblante
Reagiu em um ínterim
Desfeito, feito, e refeito de emoção
Lembrei da cerveja, da conversa,
Do livro e da dedicação

Desejou carinho e poesia,
Parece até que sabia
Que eu quase só preciso disso para viver

É parte de um repertório
Do meu repertório

Ainda nesses tempos
Eu filtro os melhores
E mais, só penso:
És como pegar a Estrada em dezembro




Sem munição

Existe algo que transita e transcende
Algo que pulsa frenético
Fora de alcance
Deixou em transe
E ainda não sei o quão certo

Sem peso, sem munição para o lance
Sigo sem data prevista ou marcada
O encontro que perdeu a data

Só sei do momento que passa 
Do vento que é forte, do beijo mais triste 
É, talvez, o ego mais explícito 
O desejo sem sentido, literalmente não sentido

Foi, é,  e será sempre um encanto
Pois mesmo ao pranto
O coração não deixar partir