sexta-feira, 13 de junho de 2014

Não sei porque, mas estou com saudade.

 Acredito que ter saudade é inerente ao indivíduo inserido em sociedade. O contato com outros me deixa a mercê de pessoas que variam em grau de importância para mim, mas que me exigem palavras, sentimentos e emoções que são dignas de reprise. Há um momento em que preciso dizer o que já disse, por saudade do dito, por saudade do impacto que a palavra causou em alguém, por vontade de sentir o mesmo que senti quando vivi outrora determinado momento. Há vezes em que eu preciso ouvir uma voz que já ouvi há muito tempo, mas que tenho saudade, talvez nem da voz em si, ou do timbre, mas por saudade do pensamento que tive ao me deparar com tal som. As coisas físicas em questão não é o fator principal, não é o motivo completo da nostalgia, mas o que se sente quando se depara com o alvo em questão. Ser nostálgico é procurar o abraço de uma mãe em amores que não te satisfazem. É saber que o consolo de um momento não existirá para sempre e muito menos será rotineiro, é querer guardar um olhar profundo que te fitou, mesmo que você tenha sido alvo dos olhos de uma criança, e, no entanto, foram olhos tão profundos que te deram motivos para viver ao menos por aquele dia. Tudo que atingem meus sentidos me deixam fragilizada ao ponto de precisar reviver mínimas coisas, mínimos momentos. A nostalgia bombardeia e nos grita que não seremos felizes até encontrarmos o que procuramos. O que procuro já vivi, mesmo que em pensamento, quero satisfazer a recordação das mais aleatórias coisas, procurando  em pessoas, em cômodos, em ambientes, em gostos preencher certos vazios.  Mesmo que sejam vazios de outros, em tese, mas como disse não é a coisa em si que te satisfaz, mas poder reviver o sentimento já pensado, vivido ou sonhado. Para ser mais clara, falo de poder preencher o vazio das crianças abandonadas, das que crescem na desordem de um ambiente influenciador do mal. O vazio da falta de comida mesmo. Da falta de atitudes que mudem o cenário de um sistema em que a desigualdade social se tornou banal.  Que o olhar face a face se tornou algo raro por ser substituído por distrações em smartphones. É saudade de um governo que governe para um povo e não para uma classe, é saudade de achar engraçadas as brincadeiras de rua na casa onde marcou minha infância e não poder encontrar e reviver esse sentimento em momentos atuais, porque esse tipo de brincadeira foi extinta e ofuscada por um mundo digital. É saudade que tenho de entender o real sentido das coisas. Felicidade é conseguir preencher em corpo, alma e mente a vida que faz sentido pra mim.  É optar por ser nostálgica, já que é inerente, mas simultaneamente, encontrando na vida o equilíbrio mental que vivi quando criança, não por ser equilibrada em um sentido real, mas por achar graça e sentido nas coisas ao meu redor, e ter saudade, mas ter vontade, amor e esperança. Muita esperança.