E se hoje disser que preferia viver em um sonho bom, daqueles que acontecem coisas demais em um único momento?
O instante é o espaço certo entre o desejo e o prazer. A imaginação é vasta demais pra se pensar que os fatos devem ocorrer em uma ordem contínua. Então tudo se mistura. Nada é estável o suficiente pra acontecer por uma causa e merecer explicação.
Você não entende. E não precisa.
No meu sonho, esse bom, esse que cabe em um instante, seu olhar revela uma serenidade boa de olhar de longe, assim como meus olhos permanecem livres o suficiente pra admirar os seus sem a precisão de chegar perto.
Assim prefiro olhar-te.
O desejo é a melhor sensação, até o momento em que não for saciado. O gosto que não é sentido torna-se o melhor sabor quando imaginado.
Seus braços, ao longe, envolve não somente a mim, mas o redor que em torno de mim encontra.
Pareces mais poderoso, e eu, mais livre.
Poderia associar este desejo ao mesmo que tem-se ao ver uma roda gigante, daquelas iluminadas, com seus carrinhos multicoloridos, fincados em máquinas capazes de girá-los até o mais alto que o seu olhar cabe.
Pode não ser tão alto assim, de fato, mas só o fato de está a uma altura longe o suficiente pra ser admirado e impressionado é valido.
Uma sensação de voar sem precisar de asas.
O fato é que quando põe- se em prática essa vontade de 'voar' e seu desejo sacia, ter supostas asas não torna-se tão divertido quanto sua imaginação abrangia.
Quando te vejo nesse sonho, você parece inviável. E assim mais desejado. Por mim.
Parece que desejos não merecem ser saciados.
O afeto é mais bonito ao longe.
De perto, torno-me vulnerável ao afeto necessário, e parece que ele não é tão belo assim.
É mais admirável ser livre para apreciar-te ao longe.
De perto nada é tão apreciável.