sexta-feira, 27 de abril de 2012

Não chora assim, meu bem.

"...Nos meus braços você chorou a mais linda dor, a dor da culpa, e do arrependimento. Implorou pelo amor que pensava que havia perdido, e beijou-me como nunca dantes havia me beijado, abraçou-me com a maior força do mundo, aquela força que conforta e não machuca, e chorou, e chorou e chorou..."
    Será que eu devo perdoá-lo? Nossa! Só por esse choro melancólico, ele já ganhou metade da minha sensibilidade em relação a situação. Me via perdida entre sinais e pressentimentos que apontavam para o lado oposto do meu querer.
    Porque sim, na verdade eu queria perdoá-lo só pela primeira lágrima caída em seus olhos. Mas isso não podia acontecer! É claro que não podia acontecer. Pra onde a minha velha razão estava indo? De uns tempos pra cá, parece que todas as atitudes mediantes a razão havia sido enterrada junto com aquela minha velha frustração de "o amor não existe e ponto final".
    Algo que eu não sabia havia me tomado de um jeito que eu não sabia mais responder pelas minha ações.

  Eu que nunca amei ninguém.

   Esta era a explicação clara para essa mistura de quereres e sentimentos que haviam impregnado em mim. Se o que ele tinha feito era imperdoável, Não pra mim. Por mim o abraçaria pela primeira lágrima. Mas ele sabe, ele sabe mais do que eu que isso não irá acontecer. Ele sabe do meu orgulho. Ele sabe que ele vai precisar chorar mais, me beijar mais, me abraçar mais... Até eu dizer aquela frasezinha, que mais clichê não há: "Vou pensar no seu caso."
   Só que aí que está o problema. Ele também sabe como ninguém, que quando eu pisco meus olhos ou fixo meu olhar no nada, é a prova de que o que eu disse é exatamente o contrário do que eu queria dizer. E se eu não soubesse o que dizer, provavelmente olharia em seus olhos e riria aquele riso de criancinha feliz. Como sempre.

       É assim que a situação se inverte naquele jogo de submissões:

   Outrora ele se via submetido a mim e as minha decisões, agora eu me via submissa as suas lágrimas. É claro que eu sou suspeita pra falar quando refiro-me a lágrimas de um homem. Porque pra mim, poucas coisas são tão lindas quanto ver um homem chorando. E ainda mais quando você se vê como motivo dessas lágrimas, dessa água pura de olhos sinceros, e não de qualquer homem, mas daquele que te fazia duvidar da razão.

     Tudo parecia acontecer milimetricamente como um costume rígido. 

E foi assim mesmo que aconteceu. No final o meu orgulho sede e ele sempre vence no final. O impulso é o ser mais constante do momento, as respirações são as mais ofegantes, e os olhos de ambos parecem devorar um ao outro.
    De repente aquele perfume meio suave, meio forte, meio fatal demais pra mim que me via vulnerável às coisas mais tolas do mundo, me tomou por inteira. E nossos corpos e almas confundiram-se em questão de instantes.