terça-feira, 2 de agosto de 2011

A culpa é um alívio para os fracos.

Breve como o desapego.
Incerto como o espaço de tempo entre um abraço e a recomposição do corpo.
Mover-se-ia pouco se pudesse.
Falaria só o planejado.
Assim as palavras sairiam como o melhor som a ser ouvido.
Não é uma apologia ao cálculo de palavras, mas o assumimento do desejo humano sobre a perfeição do que precisa ser dito.
No entanto, a verdade é que só os quereres momentâneos possuem credibilidade para ser escutado e obedecido.
Contaria mil minutos até poder encontrar a hora certa de dizer todas as palavras que fizeram parte de um discurso decorado há dias por você.
E quando chega o momento, parece que tudo vai por água baixo.
Quando você percebe que a sua cabeça já está se inclinando para baixo, e um sorriso sem graça já está se formando.
Os olhos te fitam, a espera do que você tem pra dizer.
Mas nem de um gesto você é capaz.
Mover-se-ia o pouco que pudesse. Mas nem isso.
A imobilidade do teu corpo é evidente.
É aí que você percebe o poder do outro sobre si, e toma a consciência de que todo o planejamento teria sido absorvido naquele momento.
Absorvido pelo único motivo das palavras planejadas.
Abstraído como qualquer coisa.
Irrelevante como qualquer momento que tivesse se passado antes daquele momento.
E por incrível que pareça, sua voz falha, pára, e desconcerta-se.
Como se você tivesse sido pego desprevenido de uma pergunta que julga não saber de imediato.
É nesse momento que você percebe o quanto as suas atitudes se contradizem involuntariamente ao se deparar com o objeto motivacional,que te fez parar no sorriso sem graça e ficar imóvel.
Sem palavras, sem ação.